quinta-feira, março 19, 2009

Com tijolos se calceta a estrada da solidão.
- Trechos de perdição... -
- Frestas na emoção... -

Quem me dita a sua vã glória,
quem dela se vangloria
desta vez?

A nobreza morta não esconde o vermelho do sangue.
O pegajoso vermelho do sangue...
repisado pelo incauto caminhante,
para quem os tijolos são tijolos
até tropeçar neles.

Dói-me a voz do estar,
fala esquecida de uma já clássica peça
cujos panos caem à hora prevista.

O palco é coração agora quieto
onde vibra apenas essa mesma dôr quieta
de ele estar quieto.

Segura o nome da tragédia
a consciência furtiva,
calceteira
e cada vez mais
uma personagem mais
neste teatro e percepção
em que a lágrima se desinibe
contida,
em que o céu se pinta
côr cinzenta
(e não cinzento),
nódoa no quadro 
de pesados tijolos vermelhos

e alguns vultos incertos a passar,
surdos como qualquer sombra
ou som de passos em surdina.

Foi como foi.
O odôr a musgo
pintado a vermelho
num papel sem cheiro
e a vida a revelar
fotográfica
a vida por revelar

e os panos a cair
deste meta-teatro
doendo ainda.

E dói tanto,
tanto
...
tanto
...

E resta esta fútil tristeza
com a qual não sei bem o que fazer.
E de repente não sei de novo onde me enfiar,
sucessão sem tempo de linhas sem retribuição,
não-amôr espalmado e gordo
sem a paz das linhas
que definem o manuscrito

ou ao menos alguma novidade,
um pouco de ilusão sem noção de ilusão,
que me não recorde do dualismo real-abstracto.
Isto enquanto se prolonga já
uma menor ligação aos sentidos
desta noção de temática
menos e menos presente.

Das sombras se faz a vicissitude...
...e algures um fim de beco
côr de panos.